Mérito Científico: o projeto 2026

O tema

Inclusão e acessibilidade para pessoas com TEA no ambiente escolar.

Dentro desse tema, escolhemos um foco: estudantes autistas não verbais, ou seja, que não falam, ou que têm dificuldade na fala.

Por que escolhemos esse tema

Estudantes autistas que não falam enfrentam uma das maiores barreiras do dia a dia: conseguir expressar necessidades, sentimentos e emergências. Pedir água, avisar que precisa ir ao banheiro, dizer que o barulho está incomodando ou pedir ajuda são situações simples para a maioria dos alunos. Para eles, podem se tornar momentos de angústia.

Durante a pesquisa, percebemos que existem menos soluções voltadas especificamente para facilitar essa comunicação na escola. Percebemos também que ainda falta informação sobre o autismo, e que pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença na vida desses estudantes. Por isso decidimos criar um projeto que ajudasse ao mesmo tempo os alunos autistas e toda a comunidade escolar.

O problema

Nosso projeto surgiu da observação de uma dificuldade que muitos estudantes autistas enfrentam na escola: a comunicação e a inclusão.

Nem todos conseguem expressar facilmente o que precisam, especialmente os que não falam. Além disso, muitas pessoas ainda conhecem pouco sobre o Transtorno do Espectro Autista, o que gera barreiras na convivência e no aprendizado. Quando a comunicação falha, a autonomia e a participação do aluno também ficam limitadas.

Entendendo o autismo: os níveis de suporte

O TEA é um espectro: cada pessoa autista é única. Para orientar o apoio que cada uma precisa, o diagnóstico classifica o autismo em três níveis de suporte. O nível indica quanto apoio a pessoa precisa no dia a dia, e a forma de se comunicar pode variar muito dentro de cada um deles.

Nível 1: exige suporte

É o nível em que a pessoa precisa de menos apoio. Características frequentes:

  • Costuma se comunicar verbalmente.
  • Pode ter dificuldade para iniciar ou manter conversas.
  • Pode ter dificuldade para fazer amizades.
  • Valoriza muito a rotina.
  • Mudanças inesperadas podem causar ansiedade.

Nível 2: exige suporte substancial

As dificuldades são maiores. Características frequentes:

  • Comunicação mais limitada.
  • Conversas costumam ser curtas.
  • Comportamentos repetitivos mais evidentes.
  • Grande resistência a mudanças.
  • Pode apresentar crises quando a rotina muda.

Nível 3: exige suporte muito substancial

É o nível em que a pessoa precisa de mais apoio. Características frequentes:

  • Muitas vezes não desenvolve a fala ou fala muito pouco.
  • Grande dificuldade de comunicação.
  • Pouca iniciativa para interação social.
  • Comportamentos repetitivos intensos.
  • Pequenas mudanças podem causar muito sofrimento.
  • Precisa de ajuda em várias atividades do dia a dia.

Conhecer essas diferenças foi essencial para entender que uma solução de comunicação precisa ser simples, previsível e adaptável a cada estudante.

Nossos objetivos

Com este projeto, buscamos promover mais autonomia, acessibilidade e inclusão, para que todos os alunos tenham oportunidade de participar e aprender de forma mais confortável e igualitária.

Queremos também mostrar que a tecnologia pode ser usada para unir e ajudar pessoas.

A solução: duas frentes que se completam

Para enfrentar o problema, desenvolvemos uma solução em duas partes: uma para o estudante autista e outra para as pessoas ao redor dele.

Parte 1: Comunicação e Acessibilidade

Uma plataforma de comunicação acessível para estudantes autistas não verbais. O aluno toca em botões com mensagens pré-definidas, como:

  • "Quero água"
  • "Preciso ir ao banheiro"
  • "Está muito barulhento aqui"
  • "Preciso de ajuda"

Ao tocar no botão, a mensagem é reproduzida em voz alta. Assim, professores e colegas entendem na hora o que o aluno precisa, e ele ganha uma forma independente de se expressar, inclusive em situações de emergência.

Parte 2: Conscientização e Informação

Um totem informativo instalado na escola, para informar a comunidade escolar sobre o Transtorno do Espectro Autista. O totem apresenta:

  • os diferentes níveis de suporte;
  • as características do autismo;
  • orientações para uma convivência mais respeitosa e inclusiva.

A ideia é simples: a inclusão não depende só de quem precisa de apoio, mas também de quem convive com essa pessoa. Quanto mais a escola conhece o autismo, mais acolhedora ela se torna.

Os protótipos

Site protótipo

Para testar a primeira solução, criamos um site que simula os botões de comunicação, funcionando no computador, no tablet ou no celular.

👉 Teste o protótipo

Modelo do totem

Para a segunda solução, desenvolvemos um modelo de como o totem ficaria nas escolas, com as informações sobre o autismo organizadas de forma clara e visual.

Ver o modelo do totem

Próximo passo

Na etapa nacional, queremos transformar a plataforma de comunicação em uma versão física, com botões reais que o aluno possa usar no dia a dia da sala de aula.

Visita técnica

Para que a solução respondesse a necessidades reais, fomos a campo. Visitamos o Instituto Helena Antipoff, instituição beneficente que oferece assistência a pessoas com deficiência intelectual, e entrevistamos a Francianne, coordenadora da instituição, que trabalha lá há muitos anos.

Na entrevista, a Francianne destacou a importância de um aplicativo como o nosso para a comunicação de pessoas que não falam. Ouvir quem vive a inclusão todos os dias nos ajudou a construir uma solução mais humana e aplicável.

🎥 O vídeo completo da visita está no nosso Instagram: @streetbots_